PIS/COFINS em peças e serviços: quando a concessionária pode creditar?
Resumo: Oficinas e varejo de peças têm oportunidades (e riscos) ao apurar créditos de PIS/COFINS no regime não cumulativo. Este guia traduz o tema para a rotina de peças e pós-venda: o que gera crédito, o que não gera, como documentar e como evitar glosa.
Contexto jurídico e cenário do setor
Empresas no regime não cumulativo (em geral lucro real) podem se creditar de PIS/COFINS em insumos, energia, aluguel, depreciação, entre outros, observando o vínculo com a atividade. No setor automotivo, a fronteira entre insumo (gera crédito) e despesa operacional (em regra, não) costuma gerar divergências em fiscalizações, especialmente em peças aplicadas em serviços, materiais de oficina e serviços tomados (terceirizações).
O que mudou / Problema que resolve
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Dores frequentes: perder créditos por documentação fraca, classificação errada (insumo x consumo), ou por misturar peças revendidas com peças aplicadas.
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Solução: mapear fontes de crédito por linha de negócio (venda de peças x prestação de serviços), padronizar comprovantes e contabilização, manter tabela de enquadramento e trilha de auditoria.
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Benefício: melhora de fluxo de caixa, redução de glosas e previsibilidade tributária.
Quem é impactado e casos típicos
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Peças/Varejo: compra para revenda (crédito sobre aquisição) e gestão de NCM.
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Oficina/Pós-venda: peças aplicadas em OS e materiais de consumo técnico (óleos, solventes, EPIs, panos, abrasivos).
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Adm. e Facilities: energia elétrica, aluguel de imóvel e equipamentos.
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TI/ERP e Fiscal: parametrização de CFOP/CST, centros de custo e documentação (XML, DACTE, contrato, medição).
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Controladoria/Jurídico: revisão periódica, defesas e consultas.
Procedimentos práticos (passo a passo)
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Diagnóstico do regime e escopo
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Confirme regime (lucro real/presumido) e atividades (CNAE/contrato social). Liste linhas de receita: peças (revenda), serviços, garantia, terceirizações.
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Mapa de créditos por natureza
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Aquisição para revenda (peças): crédito sobre o valor de compra; atenção a bonificações e devoluções.
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Insumos de serviços: peças aplicadas em OS geralmente são insumos; materiais diretamente ligados ao processo (ex.: lubrificantes técnicos).
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Serviços tomados: terceirização de mão de obra técnica relacionada ao serviço vendido (ex.: retífica terceirizada).
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Energia elétrica: proporcional à demanda da atividade; se houver outras atividades no mesmo imóvel, rateio técnico.
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Aluguéis e depreciação: imóveis/equipamentos afetos à atividade; mantenha contratos e laudos de afetação/uso.
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Parametrização no ERP/DMS
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Vincule CFOP/CST corretos, natureza de operação (revenda x serviço), ordem de produção/OS e centros de custo.
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Separe peças de revenda das aplicadas via tipos de item e roteiros de serviço.
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Documentação hábil (trilha de auditoria)
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XML + DANFE/DACTE, contratos, ordens de compra, OS com apontamento de peça e mão de obra, medições de serviços terceirizados.
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Memória de cálculo do rateio (energia, aluguel), com critérios objetivos (área, kWh, horas de máquina).
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Tabela de enquadramento (insumo x não insumo)
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Liste itens críticos (EPIs, panos, produtos de limpeza, softwares da oficina). Classifique com justificativa técnica (necessidade/essencialidade) e documente.
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Rotina de conciliação e revisão
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Check mensal de base de cálculo, itens sem crédito por falha de cadastro, ajustes de devolução e créditos extemporâneos quando cabível.
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Governança e compliance
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Política tributária aprovada pela diretoria, treinamento de peças/fiscal/OS, e auditoria interna semestral com amostras por NCM e serviços.
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Erros comuns e como evitar
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Misturar peças aplicadas com revenda → Cadastre tipos distintos de item e apontamento obrigatório na OS.
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Perder crédito por documento inadequado → Exija XML e contrato; sem eles, alto risco de glosa.
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Creditar material meramente administrativo → Use tabela de enquadramento e justificativas técnicas.
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Rateio “de cabeça” de energia/aluguel → Adote critérios objetivos e memória de cálculo arquivada.
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Não revisar bonificações e devoluções → Concilie ajustes para evitar crédito indevido.
Como o Escritório pode ajudar
A A Sarmento & Advogados Associados realiza diagnóstico tributário aplicado ao pós-venda, revisa cadastros e parametrizações, elabora tabelas de enquadramento (insumo x não-insumo), estrutura memórias de cálculo (energia, aluguel), prepara pareceres e defesas em caso de autuações — sempre com visão operacional do setor automotivo e sem promessa de resultado.
FAQ
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Lucro presumido pode tomar crédito?
Em regra, não, pois o regime é cumulativo; avalie exceções específicas da sua operação. -
Peça aplicada em serviço gera crédito?
Frequentemente, sim, por compor o insumo do serviço vendido. Documente o vínculo na OS. -
E EPIs e materiais de limpeza?
Dependem da essencialidade e do uso direto no processo. Classifique com base técnica e sustente com evidências. -
Posso recuperar créditos de períodos passados?
Em hipóteses, sim, via crédito extemporâneo/retificação dentro do prazo decadencial. Exija documentação completa. -
Como evitar glosa em energia/aluguel?
Rateio técnico, contratos e memória de cálculo guardados com o SPED do período.
Conclusão + CTA
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